Sacerdotes Hoje: encontro geral e testemunhos de fidelidade

Na Sala Paulo VI, por ocasião do encerramento do Ano Sacerdotal

Por Carmen Elena Villa

Sacerdotes que descobriram ou cultivaram sua vocação em meio à guerra, que abandonaram uma vida dedicada ao vício, que descobriram sua vocação em meio à crise de fé do país ao que pertencem ou em meio à doença… Estes foram os testemunhos compartilhados ontem, no Vaticano, no encontro "Sacerdote Hoje", por ocasião do encerramento do Ano Sacerdotal.

O encontro foi promovido pelos sacerdotes do movimento dos Focolares, Shoenstatt, Renovação Carismática, além de outros movimentos eclesiais da Europa e da América Latina. Também contou com o apoio da Congregação para o Clero.

O evento começou às 16h, acompanhado por coreografias, músicas, vídeos sobre a vocação sacerdotal e alguns extratos de discursos do Papa ao longo do Ano Sacerdotal. Neste ambiente festivo, havia milhares de sacerdotes, procedentes dos cinco continentes, com fones de ouvido para a tradução simultânea, dispostos a ouvir os testemunhos dos seus irmãos no sacerdócio, que compartilhavam, em primeira pessoa, como Deus tocou seu coração e como continua lhes dando a graça da fidelidade ao chamado.

Em meio à guerra

Os primeiros a compartilhar a história da sua vocação foram 3 sacerdotes do Burundi (África), Ildephonse Niyogabo, Pasteur Manirambona e Marc Bigirindavyi. O primeiro deles contou que entrou no seminário em 1992 e, pouco tempo depois, começou uma guerra civil em seu país. As tropas invadiram o seminário menor de Buta, onde ele fazia sua formação.

"Lembro que, no dia 29 de abril de 1997, os adversários entraram no nosso seminário. Nós nos perguntávamos: ‘como devemos nos comportar?’ – testemunhou. Pensamos em permanecer unidos. Começaram a atirar sem controle. Continuamos unidos e, naquele dia, perdi meu irmão, junto aos outros seminaristas."

"Fui atingido e acabei parando embaixo da cama. Logo depois, houve uma grande explosão: jogaram uma granada no lugar em que estávamos – recordou. E continuaram atirando. No meio desse inferno, meus companheiros morriam, dizendo: ‘Deus, perdoai-os, porque não sabem o que fazem’. Os sobreviventes começaram a curar as feridas dos outros, correndo o risco de morrer também."

O Pe. Niyongabo confessou que, depois desse episódio, ele viveu uma batalha interior e começou a se questionar se era preciso ser sacerdote para ser um bom cristão. Quando o reitor do seminário lhe pediu para lecionar lá, ele se sentiu novamente chamado. "Entrei no seminário maior e, em 2004, tornei-me sacerdote", concluiu.

Em uma cultura secularizada

Outro testemunho foi o de Dom Joseph Grech, bispo de Sandhurst (Austrália), que comentou que o único objetivo da sua vocação é "ajudar as pessoas a ter uma relação profunda com Jesus Cristo".

"Agradeço a Deus pelo meu primeiro pároco que, um dia, não muito tempo depois da minha chegada à paróquia, orou comigo. Ele pediu a Deus que eu pudesse, desde o início do meu ministério sacerdotal, experimentar o que significava ser testemunha de Cristo ressuscitado", afirmou.

"No profundo do meu coração, sei que Jesus está presente em tudo o que faço e toca aqueles que passam pelo meu caminho, assim como fazia quando passava pelas ruas de Israel", disse o bispo.

Na escravidão do álcool

O Pe. Helmut Kappes, da Alemanha, confessou ao público os problemas de alcoolismo que enfrentou em sua juventude: "Eu pensava que isso me ajudaria a enfrentar melhor as situações difíceis. Mas, ao contrário, elas aumentaram".

E foi assim como ele decidiu começar uma terapia de reabilitação: "Diferentes encontros me fizeram entender quão importante era escutar o que havia no fundo da minha alma".

Hoje, o Pe. Kappes trabalha em tempo integral no apostolado: "Sinto-me sustentado pela minha comunidade", concluiu.

Na provação da doença

O sacerdote venezuelano Cristian Díaz Yepes contou que, na juventude, queria ser pintor e escritor, "mas Deus me chamava a algo maior".

Porém, no caminho rumo ao sacerdócio, foi-lhe diagnosticada esclerose múltipla, doença que o impediria de ser ordenado.

"Procurei viver cada momento com intensidade, para que os meus companheiros realizassem esta vocação que eu supostamente estava perdendo", comentou.

No entanto, sua saúde começou a melhorar e seus superiores lhe permitiram continuar no seminário. Entre a ordenação diaconal e presbiteral, teve outra doença, mas finalmente pôde superá-la e chegar ao sacerdócio: "Tenho certeza de que minha segurança não pode ser outra fora de Deus", concluiu.

Em meio aos escândalos

Outro testemunho veio do sacerdote irlandês Brendan Purcell, quem, após contar a história da sua vocação, refletiu sobre o momento difícil que a Igreja vive na Irlanda por causa dos escândalos de abusos sexuais por parte de alguns sacerdotes.

Ele contou que, ao ser convidado para participar de um debate sobre este tema em um programa de televisão, adotou um propósito: "Não devo ganhar, e sim amar".

"Ao invés de dizer que não tenho nada a ver com isso, falei da minha vergonha e assumi os pecados dos outros." Uma das vítimas de abusos, que estava presente no programa, ao invés de atacar o sacerdote, comentou: "É bom ouvir um sacerdote assim".

O encontro dos sacerdotes terminou com vésperas solenes, presididas pelo cardeal Cláudio Hummes, prefeito da Congregação para o Clero.

 ZENIT, 10/06/2010

 

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