Sínodo convida Igreja a descobrir África Mensagem Final
Mensagem final de denúncia, autocrítica e esperança
Os participantes do Sínodo da África enviaram uma "Mensagem ao povo de Deus" para fazer um convite a valorizar o patrimônio que este continente representa para a Igreja universal.
Nesta sexta-feira, apresentou-se, em uma coletiva de imprensa da Santa Sé, o nuntius ou "mensagem" da 2ª Assembleia Especial, seu documento mais importante, junto com as proposições conclusivas que, neste sábado, após serem votadas, serão entregues a Bento XVI.
A mensagem, aplaudida durante muito tempo pelos padres sinodais, foi aprovada por unanimidade pela assembleia, de maneira que não foi submetida à votação eletrônica, como acontece no caso de cada uma das proposições.
As palavras finais do sínodo são um convite: "A África não está abandonada ao fracasso. Nosso destino ainda está em nossas mãos. África, levanta-te".
O texto foi apresentado nos 4 idiomas oficiais da assembleia, na presença de Bento XVI, definido pela própria mensagem como "um verdadeiro amigo da África e dos africanos", por defender as causas destes "com todo o peso da sua autoridade moral".
Corrupção
Dividido em 7 capítulos, a mensagem começa descrevendo as contradições e profundas crises que a África vive: a trágica situação dos refugiados, uma pobreza escandalosa, a fome, a guerra e os conflitos.
Trata-se de um texto que não hesita em ser claro, como demonstra este parágrafo: "Seja qual for o nível da responsabilidade imputável aos interesses estrangeiros, não é menos vergonhoso e trágico que a conivência com os governantes locais: políticos que vendem suas nações, homens de negócios que se unem a vorazes multinacionais, africanos que vendem e traficam armas, sobretudo leves, que provocam a destruição de vidas humanas, agências locais de organizações internacionais que são pagas para difundir ideologias nocivas nas quais nem eles mesmos acreditam".
Respeito pela África e multinacionais
Às grandes potências deste mundo, os bispos pedem que "tratem a África com respeito e dignidade".
É necessária uma mudança na ordem mundial, mas não sobre a base dos interesses dos ricos sobre os pobres. Retomando os princípios da encíclica Caritas in veritate, de Bento XVI, a mensagem exige "uma mudança em relação ao peso da dívida das nações pobres que, literalmente, está matando as crianças".
"As multinacionais devem deter a devastação criminal do ambiente e a exploração insaciável dos recursos naturais. É uma tática de curta visão fomentar guerras para lucrar rapidamente graças à desordem provocada, que custa vidas e sangue humano."
"Não existirá ninguém que queira ou seja capaz de deter tais crimes contra a humanidade?", perguntam-se os padres sinodais nesta mensagem, na qual também, sem deixar de reconhecer o trabalho da ONU em seu território, pedem-lhe que seja coerente e transparente, que garanta que seus programas sejam realmente bons e "que se acabe com suas tentativas de destruir e minar os valores africanos da família e da vida humana".
Com esta expressão, os bispos se referem ao artigo 14 do protocolo à Carta Africana dos Direitos Humanos e dos Povos, mais conhecido como Protocolo de Maputo, sobre o direito das mulheres ao aborto.
Autocrítica
A mensagem também dá espaço à autocrítica. Consciente do seu "dever de ser instrumento de paz e reconciliação segundo o coração de Cristo", exorta a uma autêntica conversão, "pois somente assim se romperá o círculo vicioso da ofensa, da vingança, para o qual o perdão e o reconhecimento das culpas são cruciais".
Em particular, convida os sacerdotes a serem exemplos de reconciliação, "superando as fronteiras tribais e étnicas" e cumprindo seus votos de castidade e desapego das coisas materiais.
A mensagem pede um impulso e reconhecimento ao papel da mulher dentro da Igreja, exige a formação dos leigos, especialmente dos políticos, na doutrina social da Igreja, reconhece o vasto trabalho dos missionários e da vida consagrada na África, convida a um maior diálogo ecumênico e inter-religioso e exige aos países de maioria muçulmana o direito à liberdade religiosa.
"Dado que o mundo muçulmano acolhe com prazer os cristãos que decidem mudar de religião, também deveriam respeitar a reciprocidade neste campo", afirma a assembleia sinodal.
Esperança
A mensagem é, em definitivo, uma mensagem de esperança sintetizada em um provérbio africano citado: "Um exército de formigas bem organizadas é capaz de abater um elefante".
"A África não é impotente – conclui. Nosso destino continua estando em nossas mãos. Tudo o que a África pede é espaço para respirar e prosperar. A África já se colocou em movimento e a Igreja se move com ela, oferecendo-lhe a luz do Evangelho."
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